sábado, 28 de novembro de 2009

O que chamar de "Gospel" ?

Eu precisava atualizar com algum texto, e esse parece bom. Resume, da maneira conturbada que já parece peculiar pros olhos de vocês, o meu problema com o termo gospel e tudo o que ele significa/depreende/simboliza.

Vale um esclarecimento. Não acredito que a solução para o gospel seja uma "volta às raízes" qualquer (coloque aqui a corte stricto sensu, o povo da "Igreja nas casas sem templo" ou qualquer outra mitologia alimentada do tal "Cristianismo apostólico/primitivo") negadora do tempo atual ou abraçar irrestritivamente tudo que é "novo" (pois não é novo, é pastiche). Acredito no caminho do meio, no sujeito, no Espírito que habita individualmente os que crêem.

Talvez seja por isso que a Aline Ramos sumiu? Não se preocupe amiga, até eu me confundo às vezes...

De qualquer forma, esta aí o texto. Meu problema com o gospel.



Marcha pra Jesus... sei. Pro Jesus da Renascer, só se for.


O movimento gospel se caracteriza, no Brasil, por essa apropriação de músicas, vestimentas e outros aspectos da vida moderna para fins evangelísticos, no final das contas. Basicamente, é isso. O problema é que, como tantas outras coisas, já não é só isso.
O gospel é o pensamento ascético, (in)consciente de sua contradição e ávido por novos pupilos que aceita deixar parte de suas características externas e normas objetivas a fim de trazer o mundo de coisas para si, moldá-lo à sua imagem e semelhança.

Cabe o questionamento: até onde deve ir essa apropriação das coisas “do mundo”, mesmo que os propósitos subjacentes a esta ação sejam “estritamente evangelísticos” ("até onde" como pergunta que é feita em referência à manutenção do sistema de pensamento religioso como tal; segregador e dicotômico. Também pode ser vista da seguinte forma: quais são os limites da apropriação e modelamento que o gospel é capaz de efetuar sem degenerar-se em alguma outra forma de religiosidade, mesmo a não-religiosidade?)?

O gospel apropria-se, molda e transforma, porém mantêm e de fato celebra a dicotomia segregadora do pensamento religioso como tal. O gsopel, que aparece como um “novo modo de ser igreja”, na realiade é apenas outra manifestação do ascetismo pentecostal, do “farisaísmo” — na realidade, é sua consagração a outro nível de força e superioridade simbólica. Aqui, não são somente os líderes eclesiais impondo-se. Também há uma submissão voluntária dos membros, tamanho é o poder simbólico presente na relação mediatizada, pastichizada, entre os membros e seus líderes (“apóstolos”, “pastores”, “bispos”…); o “us and them” incrivelmente retratado com tintas fiéis. Tal poder sempre existiu, melhor dizendo, existiu desde o princípio da religião instituída, contudo é nesta conjuntura em particular — o gospel brasileiro, o neopentecostalismo lato sensu — que ele se mostra mais nítido .



PS: tenho Twitter agora. E blogueio noutro lugar, falando do que me vier na cabeça, só que um foco maior na cultura pop, "nerdismo" e coisas relacionadas.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Altitude

Quando quero pensar em algo eu vou pra um lugar alto. Não sei exatamente por qual razão. Acho que tem a ver com distanciar-se de um problema pra resolvê-lo, fuga da tensão do momento, desejos infantis reprimidos. Eu sei lá. O que importa é que eu subo. Nem precisa ser tão alto. Basta minha perna não tocar no chão. Uma vista da cidade ajuda.

Isolamento.

É essa a palavra que talvez descreva melhor o que eu sinto quando subo num lugar desse. E, ao contrário que nossa tendência gregária brasileira faz parecer, é bom ficar só. Às vezes, obviamente - calma mulheres, eu gosto de vocês também - afinal, até Adão reclamou! Mas esse não é o ponto. Não são (necessariamente) mulheres (ou a falta dela) que me "afligem" nesses dias.

Queria subir pra algum lugar e ficar lá até ter uma iluminação entende? Alguma coisa qualquer que me mostrasse "tá aí tonto, é isso que você deveria estar fazendo". Mas é claro que o Alto não trabalha de supetão assim, então...

Leva-me à Rocha mais alta que eu, já que estou aqui vivo ainda. Acredito nos meninos e meninas e nos trevos de quatro folhas.

Cansei. Juro que ia tentar fazer algo engraçado e totalmente (in)voluntário, como meu texto sobre a corte que por alguma razão acharam über-engraçado. Mas hoje não dá não. Sorry. Vem aí um outro texto "Tirando Leite da Pedra" conforme anunciei antes nesse prólogo aí linkado.

sábado, 24 de outubro de 2009

RE: As crianças bruxas estão à solta...

Li isso no blog do pr. Márcio de Sousa
Ele leu isso no blog da Nani. E eu estou repassando.

Me reservo o direito de repassar com as palavras da Nani, blogueira que, embora eu não conheça pessoalmente, respeito muito pela opinião equilibrada e pelo domínio da Palavra. O vídeo tá aí. O texto que vem abaixo é da Nani. De mim, leiam apenas silêncio. Por enquanto.





texto retirado do blog da Nani:
"Se eu fosse um mentiroso, ele responde, você não veria tanta gente aqui. Isso prova que eu não sou um charlatão."
Se a acusação de bruxaria contra crianças está longe de nossa realidade, o argumento usado para legitimar esse fato nos é muito familiar. Infelizmente, em nosso país, muitos se dizem ungidos porque levam milhares de pessoas a uma fé não validada pela Bíblia.
Tendo em vista que alguns destes profeteiros de resultados não tem respeito pela vida, esses rituais podem chegar aqui de forma alterada. Vejamos uma possível linha de pensamento:
  1. se o líder diz que o aborto é permitido porque as crianças não são geradas pela vontade de Deus,
  2. então por que fazer com que pais sustentem crianças que não queriam ter?
  3. Vamos dar uma alternativa a esses pais para se livrarem dessas crianças que já nasceram.
  4. No Brasil, bruxaria não tem tanto efeito. Vamos amenizar a coisa... Podemos criar as "crianças encostos". Encosto todo brasileiro conhece e muitos acreditam!
Já imaginou quantas pessoas sem condições no Brasil não colocariam os filhos na rua porque acreditam que elas lhe impedem a prosperidade financeira? Algo do tipo: "você gasta muito com seu filho, ele está te tirando o dinheiro que Deus lhe deu. Seu filho é um encosto! Pague para libertá-lo ou o abandone".
Você pode dizer que estou sendo dramática, mas os filhos das trevas são bem espertos. A prática pode vir alterada, mas a justificativa da quantidade é a mesma praga que vemos tantos profeteiros e seus defensores propagando em blogs, no Youtube e na televisão.
Devemos matar o mal pela raiz: precisamos parar com a teologia do cristianismo de popularidade! Aprovação popular não quer dizer conformidade com a vontade de Deus. Precisamos parar com a mentalidade do "Se eu engano muita gente, então eu sou cristão".
Devemos combater o que acontece na África e tentar ajudar essas crianças. Devemos também estar atentos para que isso não aconteça de forma velada ou similar em nosso país.